Por Murillo Victorazzo
O corpo acima do peso, a pele branquíssima e as bochechas rosadas proeminentes nos fazem lembrar do Kiko, o personagem "filhinho da mamãe" do icônico seriado mexicano "Chaves". Dono de voz nasalada e oratória sonífera, seu carisma é zero. Os detratores diriam que tem semblante e trejeitos de quem foi “criado pela avó” e aprendeu a soltar pipa no ventilador. O típico gordinho vítima de bullyng no colégio. Se foi ou não, não se sabe, mas a aparência é oposta a sua sagacidade. Gilberto Kassab é um desses políticos que, se caminharem pela avenidas mais movimentadas do país, passam despercebidos, embora reúnam poder desproporcional ao prestígio popular. Aquela espécie de politico mestre na articulação de bastidores, mas incapaz de, pelo brilho próprio, ser aprovado no teste das urnas para cargos majoritários.
Mesmo em São Paulo, onde foi prefeito por seis anos, Kassab não desperta grandes emoções, seja contra ou a favor. Poucos o parariam se o encontrassem andando pela Avenida Paulista, rua da Consolação ou bairros da periferia. Hoje teria grandes dificuldades de obter mais do que um mandato parlamentar. Nada que tenha impedido o Partido Social Democrático (PSD), idealizado e comandado por ele desde sua fundação em 2011, de sair das urnas, no último domingo, como a legenda com o maior número de prefeitos no país.
Embora, em número de votos, tenha ficado atrás do PL e possa ser ultrapassado pelo MDB caso Ricardo Nunes seja reeleito em São Paulo, o PSD garantiu o primeiro lugar em prefeituras conquistadas ao ganhar em 882 dos 5569 municípios brasileiros, um aumento de 34% em relação a quatro anos atrás e número impossível de ser alcançado pelos emedebistas nas 52 disputas de segundo turno. A vitória é ainda mais expressiva por retirar do MDB o primeiro lugar no pódio depois de 24 anos.
"Jogar escondendo o jogo". É assim que correligionários e adversários sintetizam o estilo de fazer política de Kassab. A discrição na maneira de falar e agir o faz parecer mais um tradicional político mineiro do que um paulistano. Neto de libaneses e italianos, estudou no tradicional colégio Liceu Pasteur, onde seu pai foi diretor até morrer. Engenheiro civil e economista, estreou na política aos 25 anos, participando do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo, criado pelo presidente da entidade, Guilherme Afif Domingos, candidato a presidente pelo PL em 1989 e para o qual fez campanha naquela disputa. Eleito vereador pelo mesmo partido três anos depois, chegou à Câmara dos Deputados em 1999, já pelo PFL. Seu primeiro cargo no executivo foi secretário municipal de Planejamento na gestão de Celso Pitta, o reprovado “poste” de Paulo Maluf. Ministro de dois governos, esteve à frente da Casa Civil no governo João Dória, entre 2019 e 2020.
Em meio à polarização ideológica que, apesar do fim precocemente decretado por alguns analistas desde domingo, ainda predomina no Brasil, Kassab hoje consegue ser o poderoso secretário de Governo e Relações Institucional do governador paulista Tarcísio de Freitas, o bolsonarista com algum refinamento gestual e verbal, e ter seu partido na base de apoio do presidente Lula, ocupando três ministérios (Minas e Energia, Agricultura e Pesca). Seu cargo no Palácio dos Bandeirantes, a partir do qual lhe cabe a relação com prefeituras e Assembleia Legislativa, foi fundamental para o PSD conquistar a liderança em prefeituras também no estado mais populoso e rico do país. Agora 207 dos 645 municípios paulistas estão sob seu poder.
Coincidência ou não, Kassab e seu partido nos remetem à legenda homônima existente durante a "República de 46" (o período entre a queda, em 1945, da ditadura varguista e o golpe militar de 1964) não apenas pela acrônimo igual. Sigla que reunia as "raposas políticas" oriundas ou apoiadas pelas oligarquias rurais estaduais da época, o antigo PSD caracterizou-se igualmente por ter sido construído de cima para baixo, nos mais altos gabinetes do poder, sendo as dinâmicas regionais preponderantes em seus posicionamentos. Também não apresentava rigidez programática nem base social. Tendo como um dos seus nomes mais emblemáticos o governador Benedito Valadares, clássico exemplo de "raposa mineira", foi uma espécie de "centrão" da época, o algodão que separava os cristais PTB, à esquerda, e UDN, à direita, sob o contexto hiperpolarizado da Guerra Fria.
Embora aliado dos trabalhistas em nível nacional durante praticamente todo o período, aquele PSD, muitas vezes, coligou-se em disputas estaduais com udenistas, tendo até chegado a flertar com eles para as eleições presidenciais de 1950 antes de voltar para os braços do trabalhista Vargas. Naquele pleito, seus "caciques" acabaram por, na pratica, abandonar Cristiano Machado, nome do partido para o Palácio do Catete. Desde então, “cristianizar” virou termo para se referir a candidatos “traídos” por seus correligionários.
A, digamos, maleabilidade do atual PSD ganha contornos geográficos se olharmos os recentes apoios nas capitais: conforme sai do Sul e vai para o Sudeste e Nordeste, mais caminha da direita para o centro, coligando-se frequentemente com a esquerda. Além de reeleger Topázio Neto em Florianópolis, o partido, em Curitiba, tenta chegar à prefeitura em composição de chapa com PL, enquanto, em Porto Alegre, apoia o atual prefeito Sebastião Melo (MDB), cuja vice é uma coronel bolsonarista. Posicionamento semelhante se dá nas capitais do Centro-Oeste e Norte.
Por outro lado, no Rio de Janeiro, reelegeu com facilidade Eduardo Paes em aliança com PT, PSB, PDT e PCdo B, ao mesmo tempo que, em Belo Horizonte, agora no segundo turno, outro prefeito tentará manter-se no cargo atraindo o apoio dos candidatos petista e pedetista contra o nome do bolsonarismo. Não é segredo que Lula desejava apoiar Fuad Noman ainda no primeiro turno, já pensando nas articulações para sua reeleição e a disputa para o Palácio da Liberdade, sonho de consumo do presidente do Senado, o pesedista Rodrigo Pacheco O PT mineiro, no entanto, preferiu bancar Rogério Correia, que terminou com míseros 4%.
Em capitais do Nordeste, quando não lançou nomes próprios (São Luis onde venceu, além de Recife e Natal), o PSD apoiou candidaturas de esquerda, casos de Aracaju (PDT), Fortaleza (PT), Teresina (PT), ou esteve junto a partidos deste campo em coligações derrotadas encabeçadas pelo MDB (Salvador e Maceió). A exceção é João Pessoa, onde compôs aliança à direita liderada pelo PP. Se olharmos para o mapa de votação das últimas eleições presidenciais, não é difícil entender a lógica de Kassab.
Essa "maleabilidade" está no DNA do PSD: em 2011, ao ser perguntado sobre qual seria o posicionamento da sigla que estava sendo criada, Kassab soltou naturalmente a frase que entrou para o anedotário politico nacional: "Não será de direita, nem de esquerda, nem de centro. Terá um programa a favor do Brasil". Fundado a partir de dissidentes do antigo Democratas (ex-PFL) aos quais se juntaram nomes de PSDB, PPS e Centrão, a legenda foi uma maneira desses políticos, cansados dos custos de ser oposição há nove anos, entrarem para o governo do PT, à época muito bem avaliado pela população.
A ideia de Kassab foi estimulada pela então presidente Dilma Rousseff, o que causou a ela atritos com seu aliado PMDB, que se viu ameaçado de perder espaço e poder de barganha. Nascido para ser uma outra versão do peemedebismo (central na governabilidade, com "caciques" regionais e pragmatismo maior do que nitidez ideológica), o PSD vinha, na cabeça da presidente, justamente para contrabalancear a força do partido do vice-presidente Temer dentro da base governista. Nas eleições municipais do ano seguinte, já havia conquistado 494 prefeituras, tornando-se a quarta força eleitoral.
O PSD esteve tanto nas gestões de Dilma como na de Michel Temer. Ministro das Cidades da petista, Kassab deixou o governo em abril de 2016, para, dois depois, votar a favor do impeachment da petista e, no mês seguinte, ser nomeado ministro das Comunicações do peemedebista. Apesar de oficialmente neutro durante o governo Bolsonaro, coube a um filiado seu, Fábio Faria, o Ministério das Comunicações, sob a justificativa de ser "cota pessoal" do presidente. Pelas assembleias legislativas do país, é base governista ou oposição seguindo, em regra, o mesmo posicionamento das últimas eleições municipais.
O sucesso de Kassab se deve a sua estratégia de atrair prefeitos nos anos anteriores à eleição. Em abril deste ano, quando acabou o prazo para troca de partidos, o PSD, que fizera pouco mais que 600 prefeituras em 2020, tinha 1.040 sob seu poder, segundo levantamento da "Folha de São Paulo". Em São Paulo, se, em 2020, ganhara em 66 municípios do estado, saltou para cerca de 320 os prefeitos filiados a ele em 2023. Em cenário favorável a reeleições e comparando com números de eleitos este ano, pode-se até dizer que o resultado das urnas nem foi tão exitoso. Mas crescimento referendado pelo voto popular adquire outra dimensão. Dá mais legitimidade.
O protagonismo em São Paulo é emblemático. Até poucos anos atrás, o estado era um bunker tucano. A ascensão do PSD reflete a decadência em nível nacional do PSDB. Ocupante do Planalto entre 1995 e 2003, a legenda foi, entre 2004 a 2016, a segunda maior do país em número de prefeitos. Seu auge foi em 2016, com quase 790 cidades conquistadas - cerca de 240 delas paulistas. No ultimo último domingo, obteve êxito em apenas 273, sendo o segundo partido que mais perdeu prefeituras - quase metade. No estado, elegeu meros 21 prefeitos, despencando do primeiro para o oitavo lugar. "Depois de 30 anos [de governos do PSDB], São Paulo tem um novo comando. E o Tarcísio está indo bem. Então o que há são prefeitos que querem estar sob sua liderança. Por que escolhem o PSD? É porque a acomodação local prevalece. O PSD é de centro, é conciliador. Estão indo para a liderança do Tarcísio", disse Kassab, ao jornal Valor Econômico, em novembro de 2023.
Em entrevista à GloboNews na última segunda-feira, Kassab garantiu que seu projeto é o de Tarcísio, ainda que ressaltando não ser o dono do partido. Adversários, entretanto, afirmam ser ele próprio o mentor do projeto: estaria estimulando o governador a tentar, em 2026, a reeleição em São Paulo a fim de ser seu companheiro de chapa e assumir o governo três anos depois, com, aí sim, a renúncia de Tarcísio para lançar-se ao Palácio do Planalto. Tendo em mãos a máquina paulista nas mãos, seria então mais fácil tentar outro mandato no Palácio dos Bandeirantes.
Kassab assim repetiria a trajetória de quando foi prefeito da capital paulista. Eleito vice-prefeito pelo Democratas na chapa do tucano José Serra em 2004, assumiu a prefeitura em 2006, após Serra renunciar para candidatar-se ao governo do estado. No comando da cidade cujo orçamento é maior do que da grande maioria dos estados brasileiros, foi reeleito em 2008. Ricardo Nunes e o governador fluminense Claudio Castro são outros dois exemplos recentes de vices insossos e amorfos que, graças à visibilidade do cargo e o poder da caneta estatal, tornaram-se posteriormente governantes bem votados.
Meras especulações ou não, a possível estratégia de Kassab já foi refutada publicamente pelo presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, em fala que revela o incômodo com o sucesso do PSD, responsável em boa parte por ele não ter atingido a meta declarada de mil prefeituras. Dona da maior fatia do fundo eleitoral, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro foi o partido que mais cresceu (50%) e o campeão nos grandes centros urbanos (cidades com mais de 200 mil habitantes), nos quais faturou dez cidades e disputa outras 24 no segundo turno. No entanto, em números totais, alcançou pouco mais da metade (512) do pretendido, ficando em quinto lugar. São Paulo, onde o líder pesedista jogou com a máquina do governo estadual, é razão de parcela considerável da frustração. "Kassab foi atrás de fazer prefeito em cidadezinha pequena, principalmente no interior de São Paulo, para impressionar Tarcísio", afirmou à revista Veja um integrante do PL aliado de Bolsonaro.
Embora seja atualmente o principal conselheiro politico de Tarcísio, Kassab tornou-se alvo do bolsonarismo também pelo bloqueio que seu correligionário presidente do Senado impôs às tentativas de abertura de processo de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Nicolas Ferreira, o "garoto prodígio" do reacionarismo, divulgou "dossiê" acusando o PSD pelo indiciamento dos golpistas do 8 de janeiro. Relatora da CPMI, a senadora pesedista Eliziane Gama é feroz crítica de Jair. Carlos Bolsonaro publicou vídeo no qual seu pai acusa Kassab de orientar parlamentares do partido a votarem contra ele na comissão a fim de manter três ministérios no governo Lula. "É compreensível que os radicais, da esquerda e da direita, não entendam o papel do centro. Por isso, radicais", replicou Kassab.
Apesar de, não sem razão, a imagem sedimentada em relação ao Centrão ser a fluidez ideológica e o fisiologismo, o grupo nasceu como uma reação conservadora durante os debates da Assembleia Nacional Constituinte de 1987. Formado por parlamentares em maioria ligados à antiga ARENA (o partido que sustentou a ditadura militar) e ao então presidente José Sarney, pretendia impedir a incorporação de propostas consideradas progressistas demais em direitos sociais e relações econômicas na nova Constituição, além de viabilizar interesses imediatos como mandato de cinco anos para Sarney. De centro nada tinha. À época, o deputado Roberto Cardoso Alves, um de seus principais porta-vozes, chegou a utilizar-se de um verso da oração de São Francisco para justificar, em tom de deboche, a gula por cargos e emendas orçamentárias: "É dando que se recebe".
O grupo voltou à cena em 2014, quando o deputado Eduardo Cunha reuniu em um bloco suprapartidário congressistas do centro à direita insatisfeitos com o quinhão dado por Dilma e o apoio dela ao petista Arlindo Chinaglia na disputa contra ele pela presidência da Câmara. Foi, porém, com Bolsonaro, ao ser alçado ao coração do governo que contraditoriamente se via antissistema, que deixou de ser um informal único partido office-seeking (siglas cuja única razão de ser é obtenção de cargos no governo, qualquer que seja este). Parte do Centrão deixou cair a máscara e enfim mostrou seu empedernido DNA direitista muitas vezes radical, que, por interesses paroquiais, mantivera relegado. É o caso, em linhas gerais, do PL, PP, PTB, Republicanos e parte do União Brasil ( apesar da presença de nomes dos dois últimos no atual ministério petista). Os outros, notadamente MDB e PSD, de fato mais ao centro, aderiram ao governo Lula.
As eleições de domingo, entre várias dúvidas, deixaram algumas certezas sobre o futuro, muito embora, por seu critério de formação de voto distinto (o dia a dia da cidade), eleições municipais não sejam determinantes para as presidenciais. Correlação maior se vê, segundo a literatura da ciência política, na composição do próximo Legislativo. Uma delas é que Kassab saiu ainda mais forte. Mesmo sem fã clube próprio, foi o craque do jogo. Além das mais de 800 prefeituras conquistadas este ano, seu partido tem dois governadores (PR e SE), a maior bancada do Senado e a quinta da Câmara. Antes das urnas abrirem, era o partido com maior número de capitais (5). No último domingo, foi o que mais elegeu prefeitos nessas cidades (Rio de Janeiro, Florianópolis e São Luis), com chances de faturar outras duas no segundo turno (Curitiba e Belo Horizonte). Apenas o União Brasil (com duas vitórias garantidas e chances em outras quatro) e PL (vencedor em duas capitais e disputa em outras nove) podem ultrapassá-lo.
Outra conclusão irrefutável é o momento adverso aos partidos de esquerda, apesar do resultado acima do esperado do PSB. PT e socialistas cresceram respectivamente 37% (de 183 para 248) e 21% (de 258 para 306), alcançando a nona e sétima colocação. Mas, nos grandes centros urbanos, conquistaram cada uma apenas duas cidades, ficando ambas em oitavo lugar. Petistas disputam segundo turno em outras 13, enquanto o partido do vice-presidente Geraldo Alckimin em somente mais duas. Nas capitais especificamente, o quadro é mais desalentador: apesar de haver petistas na disputa de três (Fortaleza, Cuiabá e Natal) além do mais que aliado psolista Guilheme Boulos em São Paulo, a derrota não parece inevitável somente na capital cearense. Ou seja, são enormes as chances do partido do presidente da República ter apenas uma ou nenhuma capital. Isso sem falar no PSOL que saiu de cinco para nenhuma prefeitura; no PCdo B, que caiu de 46 para 19 prefeitos; e o PDT, partido que mais perdeu municípios: dos 310 que tinha em 2020, restaram-lhe menos da metade (148).
Cenário melhor para o PSD, portanto, não poderia haver. Seu poder de barganha com Lula ficou ainda maior, tendo em vista tanto mais espaços em uma provável reforma ministerial como as articulações paras as próximas eleições presidenciais. Não se sabe ainda quem será o candidato oposicionista ao Planalto, mas, caso seja Tarcísio, o PSD seguirá a vontade de seu presidente ou liberará os diretórios regionais para agirem em função da dinâmica local? Não está fora de cogitação o lançamento de candidatura própria (especula-se a do governador paranaense Ratinho Júnior), ainda que apenas para cacifar-se nas negociações. É bom frisar que, diante da provável derrota de Boulos, o único ou os dois únicos prefeitos de capital do Sul-Sudeste aliado ao petismo serão pesedistas: Paes e possivelmente Noman. No caso do Rio de Janeiro, uma relação mais próxima e antiga. A Lula foram reservados fartos agradecimentos no discurso de vitória do carioca.
O PSD sai das urnas como o principal partido de Minas Gerais, estado onde quem vence nas eleições presidenciais costuma chegar ao Planalto. Único estado do centro-sul a dar a vitória a Lula em 2022, nele o petista venceu por margem ainda mais apertada do que o resultado nacional. Um dos bunkers do PT, a Bahia, governada pelo partido há 17 anos e onde Lula obteve 72% dos votos em 2022, também deu à legenda de Kassab o maior número de prefeituras. Em contexto de calcificação de taxas de aprovação devido à polarização ideológica e afetiva, o apoio do PSD ou de muitos de seus “caciques” torna-se crucial para os sonhos petistas em 2026.
A "raposa" Kassab sente-se bem atuando nas sombras do poder e deixando falar mais alto o pragmatismo. Segundo vários nomes da Ciência Política, partidos "centristas" assim, apesar dos males do fisiologismo e clientelismo, são instrumentos estabilizadores da democracia. Mas basta ver sua origens políticas para não haver dúvidas: o pesedista é um político à direita, mesmo que não seja essa direita reacionária vocalizada pelo bolsonarismo que constantemente alveja as instituições.
Sob esse contexto, não custa voltar a lembrar o antigo PSD, que, durante a "República de 46", foi sempre a maior bancada do Congresso e dono do maior número de governadores, além de eleger dois presidentes (Dutra e JK). Esteve coligado nacionalmente com o PTB por praticamente todo o período, chegando a ter nomes seus como primeiro-ministro nos três anos parlamentaristas do governo João Goulart. Mas, quando entendeu que o trabalhista havia caminhado para a esquerda mais do que o desejado, escolheu romper com ele, tendo vários de seus líderes apoiado o golpe militar de 1964 que deu inicio à ditadura militar. “Cristianizar” sempre foi com eles mesmo.

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